Sherlock Holmes 2 – O Jogo de Sombras | Crítica

Sherlock-Holmes-O-Jogo-de-Sombras-poster-202x300Basicamente repetindo a mesma fórmula do original de 2009, o diretor Guy Ritchie optou por não se arriscar muito neste Sherlock Holmes 2. O resultado desta cautela é um filme que diverte, mas que já não conta com o mesmo frescor de antes. Já vimos o que Robert Downey Jr pode fazer com o papel do famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, e mesmo que o trabalho do ator seja fenomenal (e realmente é), vai chegar o momento onde apenas a sua persona não será suficiente para sustentar a franquia inteira.

Livre da necessidade de apresentar-nos àquele universo, Ritchie aproveita para conferir um ritmo mais acelerado ao filme. Assim, já na primeira sequência nos deparamos com Sherlock lutando sem maiores explicações com quatro capangas de uma vez só. Seguindo esta linha, o diretor inclui cortes mais frequentes não apenas nas cenas de ação, mas também para conferir uma dinâmica mais frenética na troca de diálogos entre os personagens. Isto se revela eficaz para extrair todo o potencial cômico das tiradas que o roteiro oferece.

Por outro lado, este ritmo mais acelerado acaba por obrigar o diretor a constantemente interromper a linha cronológica da narrativa afim de explicar eventos anteriores, o que muitas vezes quebra a fluidez do filme. Recursos como as antecipações mentais de Holmes às suas manobras físicas também são repetidos à exaustão, e a câmera lenta em determinada cena onde os heróis fogem numa floresta em meio à explosões beira o insuportável.

Reprisando o papel com a habitual competência, Downey Jr mais uma vez traz para Holmes seu cinismo característico que casa de maneira incrível com o brilhantismo do personagem. Já Jude Law investe mais no lado cômico de Watson, sempre suportando as excentricidades do amigo e seus ciúmes. Nesta mesma veia cômica, Stephen Fry brilha como o irmão do detetive. E se Noomi Rapace surge um tanto inexpressiva como a cigana Simza, Rachel McAdams consegue marcar presença mesmo tendo pouco tempo em cena.

Mas o grande trunfo do filme reside mesmo na atuação de Jared Harris como Professor Moriarty. Antagonista cuja inteligência nada deixa a dever em relação ao protagonista, Harris encarna o vilão com o seu ar superior e misterioso, exibindo um olhar que desafia o interlocutor a adivinhar o que se passa naquela mente. (quem acompanha o trabalho do ator em Fringe sabe do que estou falando). Não é a toa que o filme sempre se fortalece quando este divide a cena com Downey Jr, evidenciando o fascinante jogo de xadrez que aqueles personagens travam um com o outro.

Brincando com nossas expectativas ao fazer referência à famosa morte do detetive em seu terceiro ato, o filme se revela como um passatempo eficaz e esquecível na medida certa. Torcemos para que a fórmula não fique desgastada para o próximo capítulo.

Cotação-3-5

 

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