Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres | Crítica

Os-Homens-que-Não-Amavam-as-Mulheres-poster-204x300Como provou em 2010 com A Rede SocialDavid Fincher tem o dom de transformar um improvável material cinematográfico em um filme empolgante. Não que a obra de Stieg Larsson fosse tão difícil de se adaptar, aliás, pelo visto o best-seller “nasceu” para isso, mas considerando-se a tediosa versão sueca de 2009, muita coisa precisava mudar. E foi o que aconteceu, o cerne da história estava todo ali, igual ao original, porém Fincher aparou as arestas, o limpou de elementos emocionais e costurou um thriller ainda mais cru, frio e sombrio. Mas apesar de ter colocado sua marca, fica claro que Fincher fez o trabalho por encomenda, e este não será um grande marco em sua carreira. Em Millennium – Os Homens que não Amavam as Mulheres, o jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) – que acaba de ser processado por apresentar um dossiê incompleto com denúncias de corrupção na revista onde trabalha, a Millennium do título – é contratado por um rico industrial, Henrik Vanger (Christopher Plummer), para investigar o possível assassinato de sua sobrinha-neta ocorrido há 40 anos, que suspeita ter sido cometido por algum membro de sua família, composta por nazistas, alcoólotras e misóginos. Conforme sua investigação vai avançando, mais esqueletos no armário vão aparecendo, até que ele recorre à ajuda da hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara). Misoginia aliás é o tema central da trama, sendo Lisbeth a principal vítima de violência em todos os aspectos, mas também a grande heroína, vingando todas as mulheres, sendo as outras personagens ou nós, espectadoras. Porém a emoção só não é maior por conta da frieza com que toda a narrativa é levada, que por outro lado nos faz quase sentir os muitos graus negativos das locações na Suécia (escolha acertada do diretor em manter a história no país original), pois a atmosfera gélida compõe todo o suspense, junto com a também fria e boa trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross. As atuações estão ótimas, todos os personagens secundários fazem valer sua participação, e Daniel Craig chega a surpreender com toques de humor em seu personagem, mas quem transcende mesmo (assim como na versão sueca) é Lisbeth Salander, uma personagem fortíssima que Rooney Mara dominou com mais elegância e sutileza que a intérprete do original, Noomi Rapace, com sua Lisbeth mais feroz. A versão norte-americana é sem dúvida mais estilosa e melhor dirigida do que a sueca, mas peca pelo mesmo problema, a longa duração, especialmente depois do clímax, tornando a trama um pouco cansativa apesar de apresentar uma resolução bem diferente e superior ao original. Aliás, uma prova de estilo do filme é a sensacional sequência pré-créditos, um cover de Immigrant Song do Led Zeppelin, produzida por Trent Reznor e interpretada por Karen Oh, do Yeah Yeah Yeahs. Chega a lembrar os filmes do 007. Se você já assistiu ao original e/ou leu o livro, vale a ida ao cinema pela comparação e por ser uma adaptação literária de alta qualidade, se não, vale a pena por ser simplesmente uma ótima trama de mistério e suspense, mas prepare-se para as cenas de violência brutais (na minha sessão alguns desavisados acabaram saindo durante a sequência mais pesada). Superando-as, a experiência torna-se intensa e o final emocional, compensador. Cotação-4-5

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