Noite de Ano Novo | Crítica

Noite de Ano Novo posterTodo fim de ano é a mesma coisa. Olha-se para trás para refletir sobre o que foi feito da sua vida nesse ano que passou e projeta-se as expectativas do ano vindouro. As promessas são feitas e todas as resoluções começam a valer a partir da meia noite, numa espécie de catarse coletiva.

Em Noite de Ano Novo o diretor Garry Marshall repete a fórmula do seu filme anterior, Idas e Vindas do Amor, ao conduzir a história de um grupo de personagens em uma data específica. E aqui os personagens estão determinados a colocar em prática suas resoluções. A adolescente Hailey (Abigail Breslin) quer se libertar do controle excessivo da mãe (Sarah Jessica Parker) e planeja seu primeiro beijo, o músico Jensen (Bon Jovi) vai cantar na hora da virada e quer aproveitar a chance de reconquistar sua antiga noiva (Katherine Heigl), Claire (Hilary Swank) é a responsável pela organização do espetáculo do Reveillon e tenta vencer seus medos para que tudo corra bem, Sam (Josh Duhamel) não deixa que um acidente de carro atrapalhe sua chance de ter um lúdico encontro amoroso, Ingrid (Michelle Pfeiffer) literalmente faz sua lista de afazeres de fim de ano e Stan (Robert De Niro) tenta convencer seu médico a lhe deixar ver a bola de luz da Times Square descer pela última vez.

Dentre todas as tramas de Noite de Ano Novo que soam como romance água com açúcar (algumas nem isso, a de Halle Berry chega a constranger) é o arco de Michelle Pfeiffer o que parece mais interessante. Ao retratar uma mulher solitária e desvalorizada no emprego e que parte em busca das realizações dos seus desejos, Pfeiffer acaba sendo um pequeno sopro de originalidade. Pena que tenha pouco tempo no filme.

Mas “por que o mundo inteiro se une em uma noite para celebrar o ano novo?”. O questionamento de determinado personagem é válido. Esperar a meia noite para ser uma pessoa melhor não é o suficiente, e a catarse do ano novo se justifica justamente por ser o único dia do ano em que as pessoas acreditam em suas promessas. Para Marshall só é concebível que uma pessoa seja contra a festa do ano novo se essa pessoa sofreu uma decepção amorosa. Afinal, não é a catarse que importa a Marshall e sim a glamourização da celebração da data. Não à toa seus personagens estão cantando, seja no palco ou no elevador, ou fazendo discursos para a plateia, seja na TV ou não.

Cabe então ao personagem de De Niro ser o responsável pelo o contraponto à leveza do resto do filme. Afinal nem todos terão a chance de celebrar um novo início e para muitos é sensação de fim de festa. É a tentativa de Garry Marshall em criar alguma substância e dar profundidade ao seuNoite de Ano Novo, mas o diretor acaba caindo no melodrama óbvio, principalmente ao mostrar a dualidade de sentimentos da hora da virada. Despede-se do velho para se dar boas vindas ao novo, literalmente, e a dor da morte é compensada pela alegria do nascimento. Mas falta aqui a catarse, justificada ou não.

Cotação-2-5

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