Fringe S04E06 – And Those We’ve Left Behind | Review

PeterEu lembro exatamente da sensação que senti quando vi o primeiro episódio de Fringe. A cena do louco doutor Walter sugerindo à agente Olivia que era possível se conectar às lembranças de um morto causava um impacto formidável, era como se ela nos dissesse: “é disso que esta série vai falar”. É claro que a fórmula “caso bizarro da semana” logo saturou e os produtores tiveram que arrumar uma solução e amarrar a coisa toda para que a série ganhasse mais substância e identidade. Ainda assim, vez ou outra Fringe acaba entregando um “caso da semana” instigante o bastante para relembrar aquela sensação lá do início. Um exemplo disso é este sexto episódio da quarta temporada.

And Those We’ve Left Behind se aventura em um terreno pouco explorado pelos casos da série: as viagens no tempo. O episódio trabalha um conceito fascinante de “bolha temporal” onde apenas uma porção limitada do espaço retrocede no tempo para o passado. Não perdendo muito tempo em oferecer pseudo-explicações muito elaboradas (Como entrar numa bolha temporal sem ser afetado? Gaiola de Faraday, oras), o episódio entende que o próprio conceito apresentado é poderoso o bastante para satisfazer o espectador. E se o desfecho do caso acaba sendo previsível, ainda assim é eficiente e traz uma bela mensagem sem ser piegas.

fringe-s04e06

Fazendo uma conexão com o arco narrativo geral ao oferecer espaço para que se discuta as consequências que a volta de Peter pode ter causado no espaço-tempo daquela realidade (grande sacada essa), o episódio traz uma nova visão do mistério central da temporada ao sugerir que Peter está na verdade em outro lugar e que deve achar um meio de voltar à sua realidade original. Isto contradiz o que foi dito anteriormente, que a linha do tempo foi apagada quando Peter desempenhou seu papel de maneira a consertar a intervenção do Observador ao salvar sua vida quando criança. Afinal, a linha do tempo tem que ser “corrigida” para que a presença de Peter seja aceitável ou será que na verdade ele pertence a outro lugar?

Invariavelmente a resposta para esta pergunta passa pela explicação da natureza dos Observadores, e é incrível que estes tenham tido uma participação tão discreta nesta temporada. Sinceramente, achei que esta fosse a hora para explorar a fundo essas intrigantes figuras. Ao contrário, a quarta temporada tem me parecido ser muito mais um resgate da dinâmica do início da série, com Olivia e Peter começando a construir uma química e certa tensão entre este e Walter. Até mesmo a participação do outro universo foi consideravelmente reduzida na história, tendo a questão dos “dois universos trabalhando juntos” sido explorada apenas em um episódio de seis até agora.

Peter-Walter-Olivia

Não que seja ruim resgatar elementos das primeiras temporadas, ver a relação de pai e filho entre Peter e Walter ser construída de outra maneira, por exemplo, é algo bem interessante, e de novo John Noble dá aula de atuação quando Walter deixa escapar um simples comentário que revela sua auto contida admiração pelo filho (“foi uma idéia esperta”). Mas sem dúvida a série perde quando todos os seus elementos não são devidamente explorados.

Esperemos que o desenvolvimento da história com os novos shapeshifters acabe caminhando em direção a uma participação maior do lado de lá e que a resposta para o mistério de Peter esclareça a natureza dos enigmáticos Observadores.

Glyph Code:

s04e06

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