Os Três Mosqueteiros | Crítica

Os Três Mosqueteiros posterNo século 17, a tensão entre França e Inglaterra e a possibilidade de uma guerra entre os países agitava o cenário político da Europa. Se por um lado a Inglaterra tinha o maior poder tecnológico, para a França contava o fato de ter ao seu lado a guarda especial do rei, Os Mosqueteiros, heróis adorados pelo povo e legendários espadachins.

Em Os Três Mosqueteiros (Three Musketeers), nova adaptação da lenda dessa vez dirigida por Paul W. S. Anderson, D’Artagnan (Logan Lerman) é o filho de um ex-mosqueteiro que tem o sonho de seguir os passos do pai. Autoconfiante e habilidoso com a espada ele decide ir até Paris para tentar a vida. Aqui o rito de passagem se dá na velocidade exigida pelos blockbusters e em pouquíssimo tempo D’Artagnan já arrumou altas confusões com Rochefort (Mads Mikkelsen), os três mosqueteiros Athos, Portos e Aramis (Luke EvansRay Stevenson e Matthew McFadyen), já conheceu o cardeal Richelieu (Christoph Waltz), se tornou melhor amigo do rei Luis XIII (Freddie Fox), e de quebra ainda esbarra com Milady (Milla Jovovich) e é jogado para dentro da trama como peça chave de um plano ousado para salvar a França de uma possível guerra.

Até aí tudo bem, se não há tempo para grandes desenvolvimentos o negócio é embarcar na aventura. Ocorre que nem a aventura de Os Três Mosqueteiros é grande coisa também. Anderson até tenta. Na sua ideia, emular Zack Snyder nas cenas de luta parece uma boa decisão. Insere elementos tecnológicos para ampliar as possibilidades, e tal qual ocorre no Sherlock Holmes de Guy Ritchie, vemos bugigangas mecânicas e máquinas voadoras a vapor fazendo parte da história. É claro que está fora do contexto histórico (a revolução industrial só foi acontecer lá pelo meio do século XVIII), mas não é necessário tamanho compromisso com a realidade em filmes desse tipo, e o maquinário contribui para as melhores sequências do filme.

O que não contribui são as relações construídas entre os personagens, principalmente entre os mosqueteiros. Não tem aquele sentimento de camaradagem entre eles. Eles lutam juntos, mas parece que o fazem apenas como colegas de trabalho cumprindo sua função. Falta uma certa cumplicidade, pelo menos algo mais do que simplesmente dividir garrafas de vinho e encher a cara resmungando da vida. O um por todos e todos por um fica sem sentido.

O que movimenta a trama de Os Três Mosqueteiros é o desejo de poder do cardeal Richelieu. Sabendo da insegurança do rei Luis XIII em relação ao duque de Buckingham (Orlando Bloom, canastrão no último) ele arma um plano com Milady para que o rei pense que sua rainha tem um caso com o duque. Tal escândalo levaria a uma inevitável guerra entre França e Inglaterra onde o cardeal passaria a comandar o país, já que o rei parece mais preocupado com as tendências da moda do que com questões de estado.

Aí, sem querer, Os Três Mosqueteiros acaba mostrando o que tem de melhor. É justamente na figura andrógena do rei que o público encontra o personagem mais palpável. Mesmo sendo apresentado como uma caricatura, um rei extravagante e mimado, ao exibir sua fragilidade em relação aos seus sentimentos e sua ingenuidade em como lidar com eles, ele se torna muito mais real do que os outros e sua história acaba soando muito mais interessante do que a dos mosqueteiros em si.

Cotação-2-5

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