E lá se vai mais uma estação…

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Hoje acaba o inverno aqui nos trópicos, mas no hemisfério norte, acaba o verão, e com ele a temporada dos mega-blockbusters, época em que a indústria cinematográfica mais fatura com suas maiores bilheterias.

E este ano bateram recordes de arrecadação, mas curiosamente, desta vez não foi pela bilheteria doméstica, e sim mundial, que agora vai muito mais ao cinema, enquanto que os norte-americanos estão contendo gastos devido a crise que assola o país.

Até alguns anos atrás, blockbusters batiam fácil a casa dos U$300 milhões nos EUA, mas na temporada de verão deste ano apenas dois filmes conseguiram este feito, Transformers 3 e o último filme da franquia Harry Potter. Inclusive, foram poucos os que conseguiram bater na casa dos U$200 milhões (até bem pouco tempo fazer menos do que isso num blockbuster era sinônimo de fracasso)! Apenas Velozes e Furiosos 5Se Beber Não Case 2 e Piratas do Caribe 4conseguiram (este último conseguiu bater a marca de U$ 1 bi no mundo, assim como HP 7).

Percebe-se que quem se deu bem mesmo nesta temporada foram apenas as sequências de franquias bem-sucedidas, mesmo que estes não sejam tão bons quanto seus antecessores (talvez a única excessão seja Harry Potter). Já os filmes originais tiveram que se contentar com bilheterias domésticas modestas e obter lucro no exterior.

Mas este ano foi o verão dos super-heróis nos EUA, com nada mais nada menos do que 4 grandes filmes lançados (tirando outras grandes produções baseadas em quadrinhos, como Cowboys & Aliens e Conan, mas vamos nos ater aos super-heróis). Thor, X-Men: Primeira Classe, Lanterna Verde e Capitão América. Todos super produções, super aguardados e super divulgados, tudo super, mas por que não atingiram grandes bilheterias?

Talvez exatamente pelo excesso, o grande público talvez tenha se cansado de produções do gênero, que está em alta há quase uma década, todo ano há pelo menos dois filmes de heróis com poderes especiais. Há a crise que assola o país, e as pessoas estão indo menos ao cinema, então toda a média de arrecadação doméstica baixou, e há também, claro, o fator particular de cada filme, com seus erros e acertos. Vejamos o caso de cada um:

Thor (Kenneth Branagh, lançado nos EUA em 06/05/11)

Thor-poster-202x300Thor teve a vantagem de ser o primeiro blockbuster da temporada e de fazer parte dos Vingadores e seu enorme marketing, e apesar de não ser um herói tão popular e ter como protagonista um ator desconhecido, conseguiu chamar a atenção do público pelo hype dos Vingadores e pelo elenco de coadjuvantes estrelado, como Natalie Portman, que acabara de ganhar um Oscar, e Anthony Hopkins, que sempre impõe respeito. Não só por isso, é um filme bem-produzido, com boa direção de atores e divertido. Mesmo com tudo isso, não passou muito dos U$181 milhões nos EUA.

O problema: É um filme bacana, mas completamente esquecível.

X-Men: Primeira Classe (Matthew Vaughn, lançado nos EUA em 03/06/11)

X-men-poster-213x300X-Men é um produto de uma bem-sucedida trilogia que não acabou tão bem, e lá se passaram 5 anos. Numa produção com menos hype, conseguiu um excelente elenco, que foi atraído por um igualmente excelente roteiro e um diretor que vinha despontado em produções pouco-convencionais. Sem sombra de dúvidas o melhor filme de super-heróis do ano, quiçá um dos melhores já produzidos, porém a bilheteria foi ainda mais modesta apesar das ótimas críticas, U$146 milhões, sequer cobriu o custo de produção nos EUA, tendo que recuperar o prejuízo fora.

O problema: O marketing deste filme foi terrível, os cartazes eram de gosto duvidoso e talvez o contexto da Guerra-Fria e o visual kitsch dos anos 60 não tenha atraído ao público médio.

Lanterna Verde (Martin Campbell, lançado nos EUA em 17/06/11)

Lanterna-Verde-Poster-204x300Este foi sem dúvida a decepção do ano, para os fãs dos quadrinhos, para o público em geral, para o estúdio, para mim, para o Ryan Reynolds…um filme cheio de potencial, mesclando um elenco de respeito com atores populares, um diretor respeitável, visual incrível e orçamento idem…para uma história fraquíssima. Mais uma vez a Warner/DC tenta atingir todos os públicos, atirando para todos os lados e não acertando ninguém (bom, talvez crianças de até 9 anos). Resultado: o fracasso do ano, U$116 milhões, e por pouco não paga seu orçamento nem com bilheteria internacional.

O problema: Para um filme assim, de um herói pouco conhecido do grande público fazer sucesso, é preciso um diretor apaixonado pelo projeto, e não era o caso do Martin Campbell, que admitiu ter feito o trabalho pelo dinheiro. Aliás, essa regra vale para qualquer filme, talvez até por isso Transformers seja um sucesso, apesar de ruim, Michael Bay gosta do que faz.

Capitão América (Joe Johnston, lançado nos EUA em 22/07/11)

capitão-américa-poster-192x300Um herói popular, que traz o patriotismo de volta num momento de crise, além de todo o hype em torno dos Vingadores, por este ser o último herói a ser apresentado, e um diretor que fez escola com Steven Spielberg. Tem como não dar certo? Claro que não, e é por isso que é o segundo melhor filme de super-herói do ano. É divertido, tem uma história coerente, ação, romance, o charme dos filmes de época e um herói carismático. Só não é o melhor pois segue a cartilha dos filmes do estúdio Marvel. Bom, mas esquecível. Por enquanto está batendo na marca dos U$174 milhões.

O Problema: Talvez por ter sido o último a ser lançado, contou com o cansaço do público. Além do mais, apesar de mostrar de uma forma irônica, o patriotismo não anda muito em voga. Além do visual retrô, que apesar de ver como qualidade, o público Homer Simpson vê como defeito.

Apesar de tudo, os filmes de super-heróis continuam sendo produzidos a todo vapor e são as maiores apostas dos estúdios para pelo menos os próximos dois verões, com suas sequências, prelúdios e reboots. É natural essa tendência, com a tecnologia de hoje em dia estes filmes que sempre requerem muitos efeitos visuais são possíveis, há uma boa margem de fãs e, se feitos com seriedade, podem render grandes obras, ou pelo menos boas sessões da tarde.

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