Cilada.com | Crítica

Cilada.com posterUm dos grandes méritos do programa de televisão Cilada é capacidade de identificação imediata do espectador com o personagem de Bruno, interpretado por Bruno Mazzeo. Basta uma lente de aumento sobre as mais banais situações cotidianas para criar a ligação e fazer rir.

Em Cilada.com nosso herói Buno humilha a namorada (Fernanda Paes Leme) na frente de seus familiares e mais um monte de gente, em meio a um casamento. Como vingança ela divulga um vídeo na internet mostrando uma ridícula performance dele na cama. Ele, obviamente, vira chacota dos amigos e começar a pensar numa forma de recuperar sua reputação.

Sempre fui um espectador esporádico do programa exibido pelo Multishow (que é divertido) e fui ao cinema esperando o de sempre nessas produções, apenas um episódio estendido do que se vê na televisão. Antes fosse.

O problema de Cilada.com começa quando notamos que nem tudo que funciona na TV funciona no cinema. E nesse aspecto o diretor José Alvarenga Jr. não colabora. Investe em planos sempre fechados e enquadramentos tortos e sufocantes sem que haja qualquer explicação para isso.

O sujeito que se levantou de casa e se dispôs a ir ao cinema não deveria se contentar com o que vê como se estivesse no sofá de sala trocando os canais onde qualquer coisa soa engraçado, ou pelo menos mais engraçado do que o tédio. E esse é o maior problema de Cilada.com, carece de alma. Quer ser engraçadinho com um monte de esquetes que deveriam ser cômicas, mas esquece do material que deveria unir tais esquetes.

Não basta colocar estereótipos em todos os quadros, apelar para situações escatológicas (sério, a do sonho me deu vergonha alheia) e se apoiar em situações clichês das comédias românticas. É preciso que o espectador de importe com os personagens, mesmo que seja para fazer graça. E em momento algum há essa ligação em Cilada.com. Não existe a identificação imediata do programa da televisão porque no filme a cilada é criada pelo próprio protagonista. Bruno é machista, ingrato, intolerante, aceita os conselhos mais banais e em sua corrida para redenção toma as atitudes mais incabíveis que poderia tomar. Nem mesmo as cenas de flashback que deveriam construir um romance pelo qual valesse a pena lutar conseguem criar essa ligação.

Ao fim de Cilada.com fica a sensação de que o orgulho de macho ferido é maior do que qualquer outra coisa, e se torna a mola propulsora capaz de suplantar qualquer sentimento, inclusive o amor próprio.

Cotação-1-5

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s